Governo do Distrito Federal
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11/06/20 às 21h31 - Atualizado em 13/06/20 às 13h33

Sem tapete e procissão, celebração de Corpus Christi pede fim da pandemia

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POR LÍVIO DI ARAÚJO

 

Os católicos comemoraram o Corpus Christi de uma forma diferente nesta quinta-feira (11) em Brasília. A tradicional celebração, que sempre leva milhares de pessoas para a confecção dos famosos tapetes e para procissões de adoração ao corpo de Cristo, também teve que se adequar devido à contaminação pelo novo coronavírus. Neste ano, apenas a missa foi mantida. E com regras rígidas para evitar aglomerações. Na Catedral Metropolitana de Brasília, a celebração, realizada por Dom Marcony Ferreira, pediu “inteligência” aos médicos e cientistas para que encontrem a cura da Covid-19. O vice-governador Paco Britto pediu proteção à cidade e rezou pelo fim da pandemia.

 

Logo na entrada da igreja, era necessário medir a temperatura corporal. Álcool gel estava disponível para todos. A missa, que geralmente reúne centenas de pessoas dentro da Catedral, que conta com 366 lugares, teve apenas 120 neste ano. Regras de distanciamento social puderam ser observadas durante toda a cerimonia. Os fiéis ocuparam os bancos da igreja, mas com espaços de 1,5 metro de distância entre eles. Além disso, nada de abraços e apertos de mãos. Idosos acima de 60 anos e crianças não puderam participar.

 

Três mudanças na tradição dos católicos durante a missa também foram observadas: o “Pai Nosso” rezado sem as mãos dadas entre as pessoas; os cumprimentos da “Paz de Cristo” apenas com o balançar das cabeças; e a hóstia da comunhão foi entregue nas mãos dos fiéis – e não na boca, como de costume.

 

Na homilia, Dom Marcony falou da importância da eucaristia para a Igreja Católica e lembrou da história da celebração de Corpus Christi na cidade. “Não desanimemos por causa da pandemia. Não estamos sós. E mesmo sem o mar de velas da procissão, sejamos nós as velas da fé”, disse.

 

Tradicionalmente, a celebração de Corpus Christi costuma reunir milhares de católicos que comemoram um dos princípios mais importantes do catolicismo: o sacramento da Eucaristia. No ano passado, mais de 20 mil pessoas estiveram na Esplanada dos Ministérios para o evento. Mas o cenário deste ano foi bem diferente do que ocorre em Brasília desde 1961.

 

Onde, geralmente, é montado o tapete que serve para a passagem do ostensório – objeto sacro que armazena o corpo de Cristo na hóstia – e início da procissão, apenas grama. Nos anos anteriores, jovens de diversas paróquias de Brasília se aglomeravam, ainda de madrugada, com uso de serragem, borra de café, folhas e flores, para criar os desenhos do tapete como expressão de carinho com a santíssima Eucaristia.

 

A procissão também não existiu. Mas a tradição de pedir as três bênçãos — a primeira pelos doentes, a segunda pelo Brasil e pelos governantes e a terceira pelas famílias -, se manteve. Foram  realizadas pelo celebrante de dentro da igreja ao final das duas missas realizadas.

 

Paco Britto estava acompanhado de sua esposa, Ana Paula Hoff, e foi responsável pela primeira leitura da missa, que lembrou a passagem bíblica em que o povo guiado por Moisés clamava a Deus por alimento.

 

Celebração católica

 

Corpus Christi é uma comemoração que faz parte do calendário da Igreja Católica, e sua criação remonta ao século XIII. Ocorre, exatamente, 60 dias após a Páscoa. A data é celebrada obrigatoriamente em uma quinta-feira porque, segundo a tradição, a Última Ceia teria acontecido em uma quinta-feira.

 

No Brasil, a data é celebrada com um feriado. A expressão Corpus Christi vem do latim e, em tradução para o português, significa “corpo de Cristo”. Desse modo, o nome escolhido para essa comemoração já sugere o seu significado: uma homenagem à Eucaristia.

 

A confecção de tapetes também é uma tradição. Não tem caráter de penitência ou pagamento de promessas. É uma manifestação popular de adoração a Cristo. Por ele passa o Corpo de Cristo na hóstia, carregado pelo sacerdote e os fiéis só podem pisar no tapete depois da passagem do religioso. A ideia do tapete relembra a entrada de Jesus em Jerusalém, quando todo o chão estava coberto de ramos de Oliveira para que ele passasse por cima.